Quem Somos

🧭 Quem Somos – O Fator de Queda é um projeto independente, criado e administrado por Guias e Escaladores Profissionais certificados pela ABGM (Associação Brasileira de Guias de Montanha), com o propósito de fortalecer a cultura de segurança, técnica e consciência na escalada brasileira. Nosso foco é oferecer um espaço sério e técnico para o estudo e a divulgação de acidentes, incidentes e situações de risco, através de análises, vídeos educativos, boas práticas e conteúdo formativo. Tudo baseado em experiências reais e na vivência prática de quem está nas montanhas todos os dias. 🎯 Nosso objetivo Criar um banco de dados técnico sobre acidentes e incidentes Estimular uma comunidade consciente e crítica Produzir conteúdo educativo baseado em situações reais Promover o uso correto de equipamentos e técnicas Apoiar a formação contínua de praticantes e profissionais 🛡️ Ética e responsabilidade Todos os relatos publicados aqui passam por triagem e curadoria técnica, respeitando a vontade de quem compartilha. Os nomes só são divulgados com autorização, e temos o compromisso de tratar cada história com o respeito que a vida e a experiência de cada escalador merecem. Nosso conteúdo não tem intenção de apontar culpados, mas de aprender com os erros — para que mais ninguém precise pagar com o próprio corpo para que outros evoluam. Bons Ventos!! Aproveita que é temporada heim... Precisa Relatar um acidente/Incidente envie para o e-mail: fatordequeda01@gmail.com

quarta-feira, 9 de julho de 2025

RELATO TÉCNICO #003

 RELATO TÉCNICO #003

⚠️ ACIDENTE REAL: Mosquetão preso só na borrachinha (“string”) Lapinha/Sumidouro - MG

Um escalador montou uma costura longa regulavél com fita de 60 cm, utilizando um string (aquela borrachinha que mantém o mosquetão na posição correta) para fixar o mosquetão inferior.

👉 O problema começou quando um amigo menos experiente usou essa costura e, ao tentar alongá-la, retirou o mosquetão da fita sem perceber. Ele o recolocou preso apenas pela borrachinha, que mascarou o erro visualmente.

🔩 Na via, ele clipou corretamente na proteção fixa, e também clipou a corda no mosquetão — que estava preso apenas na borrachinha.

🚫 Ele escalou sem cair, felizmente.

No entanto, quando o dono da costura foi escalar, não passou do lance, e decidiu sentar na costura para descansar — exatamente naquela onde o mosquetão estava preso somente pela borracha.

📉 Resultado: a borracha rompeu na hora.
📉 Queda de 6 a 7 metros.
📉 Bateu o pé numa barriga de pedra.
📉 Rompeu ligamento do tornozelo.
🙏 Está bem, mas machucado.


🧠 O aprendizado

O string não é parte estrutural da costura.
Ele nunca pode segurar um mosquetão sozinho.
A borrachinha apenas mantém o mosquetão estável — não suporta carga.

Essa é uma falha clássica, conhecida e potencialmente fatal, já relatada por marcas como Petzl, Camp, Black Diamond e outras.
Mesmo escaladores experientes podem cair nessa armadilha visual.


💬 Moral da história:

“A experiência cria atalhos, mas também esconde armadilhas.”

O próprio escalador que montou a costura improvisada foi vítima da falha que o string deveria evitar.
O feitiço virou contra o feiticeiro, mas a lição virou ouro para todos nós.







Como evitar o erro do mosquetão preso só na borrachinha (string):


1. 🔎 Verifique sempre a montagem da costura

  • Antes de escalar, confira se o mosquetão está passando por dentro da fita, não apenas preso na borrachinha.

  • Faça isso tanto na ponta que vai na proteção, quanto na que recebe a corda.

📌 Dica prática: puxe levemente o mosquetão para os dois lados. Se ele estiver preso apenas na borrachinha, ela cede ou fica frouxa demais.


2. 🔁 Nunca monte costuras "caseiras" com string sem checagem dupla

  • A maioria dos strings só serve com fitas costuradas de fábrica.

  • Se você montar uma costura longa com fita avulsa, a chance de erro aumenta, principalmente se outros forem usar.

📌 Solução: prefira costuras com fitas já costuradas (costura industrial) ou use string com barreira interna (que bloqueia o mosquetão se não estiver corretamente montado).


3. 🧑‍🤝‍🧑 Oriente seus parceiros de cordada

  • Nunca assuma que o parceiro entendeu o uso correto da costura.

  • Explique o risco do string e como ele pode mascarar o erro.

  • Oriente sempre a verificar ambos os lados da costura.

📌 Dica de guia experiente: dê uma olhada rápida nas costuras do seu parceiro antes dele começar a escalar. Evita acidentes e fortalece o trabalho em equipe.


4. 🧵 Use strings visuais ou transparentes

  • Strings transparentes ou com cores vivas ajudam a ver se a fita realmente passa por dentro do mosquetão.

📌 Petzl e outras marcas fabricam strings transparentes justamente por isso: para deixar visível se o mosquetão está corretamente encaixado.


5. 🛠️ Faça inspeções frequentes nos seus equipamentos

  • Mosquetão montado errado pode passar despercebido por muito tempo se ninguém checar.

  • Inclua isso na sua rotina de inspeção antes da escalada: mosquetões, fitas, strings e posicionamento.



Autor: Sergio Ricardo


 

RELATO TÉCNICO #002 – Lamúrias de um Viciado, MG Serra do Cipó

Data do Acidente: 29/06/2025
Local: Setor Lamúrias – MG
Acidentado: 
Guia Responsável: ---------
Via: Lamúrias de um Viciado
Grau: 7b brasileiro
Estilo: Via de 2 enfiadas
Tipo de Acidente: Queda com impacto no platô – fratura exposta


1. Contexto

Durante o encerramento da Abertura de Temporada promovida pela AESC, o escalador (Joãozinho), experiente e residente em São Paulo, contratou os serviços de um(a) guia local para escalar a via Lamúrias de um Viciado, uma linha tradicional de várias enfiadas na região no setor G3.

2. Dinâmica do Acidente

O escalador progrediu normalmente pela primeira cordada, realizou a parada e iniciou a segunda cordada. Após costurar a primeira proteção da nova cordada, Escalador alcançou a segunda proteção, momento em que segurou diretamente a fita de dyneema da costura para passar a corda.

Esse procedimento, embora comum em escaladas esportivas e tradicionais, pode aumentar significativamente o risco quando feito de forma incorreta ou com má leitura do sistema. Durante esse movimento, a porta do mosquetão se abriu (o chamado "efeito porteira") e a corda saiu da proteção, resultando em uma queda severa.

O escalador quicou com os pés no platô abaixo e virou de cabeça para baixo, sendo então detido pela corda. Ele usava capacete, o que evitou lesões mais graves mas relatou imediatamente dor intensa, afirmando ter quebrado o pé.

3. Ferimento e Atendimento

Ao ser descido à base, foi constatada fratura exposta no tornozelo ou pé direito. As primeiras pessoas que estavam no local atuaram prontamente:

  • A sapatilha foi cortada para aliviar a pressão e permitir avaliação da lesão.

  • O membro foi mantido imobilizado manualmente para contenção da dor e evitar agravamento.

  • Um grupo deslocou-se para buscar sinal de celular e acionar o resgate.

  • Outra equipe foi buscar a maca.

  • A evacuação foi feita com apoio de 10 a 15 pessoas, incluindo uma médica presente no evento.

Tempo estimado de resposta até a ambulância: cerca de 60 minutos.

4. Causa Provável

A dinâmica principal do acidente se deu por um movimento inadequado ao segurar diretamente a fita de dyneema da costura para clipar a corda, resultando na abertura da porteira do mosquetão (possivelmente por pressão ou torção). Com a corda desclipada e o trecho exposto da via, a queda se deu com impacto direto no platô.

5. Análise Técnica

  • Fator de queda estimado: Possivelmente alto, considerando a altura entre parada e segunda proteção.

  • Erro técnico primário: Interação incorreta com o sistema de costura. Segurar diretamente na fita pode desencadear a abertura da porteira, especialmente em costuras com mosquetões de arame ou gate reto sem trava.

  • Importância do posicionamento: O trecho exige que não haja queda — fator crítico que deve ser sempre reforçado por guias e em capacitações.

Nota: Este tipo de situação reforça a importância do ensino adequado sobre formas seguras de clipar, o uso de costuras estendidas quando necessário e a avaliação da exposição real da linha durante a escalada tradicional.

6. Sobre o corte da sapatilha

A equipe no local optou por cortar a sapatilha para aliviar pressão sobre o inchaço. Embora sapatilhas possam servir como contenção leve (por compressão), em caso de fratura exposta com edema significativo, a remoção ou corte controlado pode ser benéfica para evitar isquemia ou compressão vascular.

No entanto, é fundamental que essa decisão:

  • Seja tomada com base em sinais claros de comprometimento circulatório ou dor intensa;

  • Seja feita com apoio técnico ou conhecimento básico em APH (Atendimento Pré-Hospitalar) remoto.

7. Como o acidente poderia ter sido evitado

1. Clipar a corda sem segurar a costura

O erro crítico foi segurar a fita da costura para facilitar o clip, uma prática arriscada que pode forçar a porteira do mosquetão a abrir, especialmente se for de aramido ou se houver rotação. A forma segura de clipar a corda é segurando apenas o mosquetão inferior, mantendo os dedos longe da abertura da porteira.

Regra prática: Nunca colocar os dedos entre a corda e a porteira do mosquetão. Se estiver difícil clipar, melhor reposicionar-se ou usar uma costura mais longa.


2. Usar costuras mais longas em trechos expostos


A segunda proteção após a parada costuma ser mais crítica, pois o escalador ainda está com pouco “amortecimento” de corda solta. Uma costura mais longa ou uma alça extensível poderia ter reduzido a chance de o mosquetão virar ou travar em posição ruim, o que é um dos gatilhos para desclipagens acidentais.


3. Avaliar melhor o risco de queda naquele trecho


Sabendo que o trecho é naturalmente exposto, o escalador poderia ter:

  • Adicionado uma costura redundante próxima à parada.

  • Parado para descansar e clipar com mais precisão, mesmo que demorasse mais.

  • Pedir a ajuda da guia para avaliar o melhor tipo de costura ou estratégia naquele ponto.


4. Treinamento técnico e reciclagem

Mesmo sendo um escalador experiente, o acidente mostra que hábitos técnicos precisam ser revisados constantemente. Manter-se atualizado, buscar feedback de outros escaladores e fazer clínicas técnicas de segurança pode evitar a repetição de práticas arriscadas.

8. Considerações Finais

Não houve indício de falha técnica ou negligência por parte do(a) guia. O acidente decorreu de uma combinação de decisão técnica do escalador e exposição da via.

Fica o alerta sobre a necessidade de formação constante, inclusive entre escaladores experientes. Também reforçamos a importância da capacitação em APH em ambientes remotos e protocolos de evacuação eficientes, como demonstrado pelo grupo presente.


Autoria: Fator de Queda | Contribuição: Comunidade local
Contato para complementações: fatordequeda01@gmail.com

Sergio Ricardo

domingo, 6 de julho de 2025

🖤 NOTA DE LUTO — ACIDENTE FATAL NA PEDRA DO ELEFANTE, ANDRADAS/MG

No último sábado, 05 de julho de 2025, a comunidade da escalada foi profundamente abalada pela trágica notícia do falecimento da escaladora Daiane Marques, durante uma atividade na Pedra do Elefante, em Andradas/MG.

Escaladora experiente, reconhecida e querida por muitos, Daiane havia completado a ascensão ao cume com dois companheiros igualmente experientes. Durante o processo de descida por rapel, ela foi a primeira a iniciar a manobra. Infelizmente, sofreu uma queda fatal cuja dinâmica ainda está sendo apurada pelas autoridades responsáveis.

Nós, do Fator de Queda, sentimos profundamente essa perda. Em respeito à memória da Daiane, sua família e toda a comunidade montanhista, deixamos aqui nossa solidariedade, admiração e carinho.

Nos próximos dias, publicaremos uma análise técnica preliminar sobre o acidente, não como forma de julgamento, mas sim como um convite à reflexão consciente e coletiva. Nosso propósito é contribuir para uma cultura de segurança sólida e humana na escalada — onde cada escolha técnica importa, e cada vida tem valor inestimável.

Que a memória de Daiane inspire cuidado, presença e responsabilidade em cada movimento na montanha.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Freios ATCs Além do Básico: O que mais os freios do tipo ATC guide/Reverso escondem.

 A Ciência dos freios em modo bloqueado!

Uso do Reverso em modo blocado e descida controlada com nó dinâmico (UIAA)

Contexto:

Durante o uso do freio tipo Reverso da Petzl (e similares como ATC Guide), em escaladas com dupla, o guia pode configurar o aparelho em "modo blocado" (guide mode) para dar segurança aos participantes desde a parada. Este modo cria um sistema auto-bloqueante, ótimo para segurar uma queda, mas que exige técnica correta para liberar a corda se for necessário baixar o participante.

Entendendo as partes do Freio

  • Ponto de conexão – Local onde o freio é conectado diretamente à parada para uso no modo autobloqueante (modo Reverso/Guide).

  • Canais para corda (rope slots) – Canais de fricção por onde a corda passa.

  • Cabo de aço revestido com nylon – Um retentor que não suporta carga, cuja função é manter o dispositivo na posição correta de uso.

  • Canais de frenagem (braking grooves) – Canais em formato de “V” que criam atrito para parar uma queda ou controlar a descida.

  • Orifício de liberação (release hole) – Abertura onde se insere o bico de um mosquetão para liberar corda ou baixar um escalador.

  • Corpo de liga de alumínio – Design ultraleve, durável, minimalista e versátil.


Limitações do sistema:

O ponto de alívio (release hole) do Reverso é pequeno, requer muita força com um mosquetão pequeno para vencer a carga. Além disso, forçar o sistema por esse ponto pode comprometer a fluidez e gerar riscos se o escalador não tiver total controle da corda de freio.


Alternativa com Redirecionamento e Nó Dinâmico (UIAA)

Vantagens:

  • Controle progressivo da descida

  • Redução do esforço no sistema principal

  • Uso de backup redundante

  • Ampla aplicação por guias de escalada no Brasil

Passo a passo:

  1. Redirecionar a corda de freio que sai do Reverso para cima, através de um mosquetão HMS preso na ancoragem (acima do sistema).

  2. Fazer um nó dinâmico (UIAA) nesse mosquetão.

  3. Controlar a descida do participante com a mão no freio (abaixo do UIAA).

  4. Deixar o participante descer até uma proteção segura ou platô, onde ele possa se conectar à parede.

  5. Aguardar o participante se ancorar.

  6. Finalizar a manobra, desmontar o sistema e seguir com o rapel do guia.

Observação:

Este método evita o uso exclusivo do release hole, melhora a ergonomia da operação e garante redundância ao manter o Reverso em funcionamento até que o participante esteja seguro.


Comparativo entre nós usados na descida

Tipo de Nó Vantagem Desvantagem
UIAA (Dinâmico)            Simples de montar/permite deslizamento                       controlado e fluidez na descida Requer mais atenção manual constante
Munter Hitch (MMO)                Simples de montar Trava com carga deixando a corda fixa.

Em contextos de descida assistida após modo blocado, o UIAA oferece melhor controle do fluxo de corda e é mais indicado por guias experientes.


Conclusão:

O uso do nó dinâmico UIAA, aliado a um redirecionamento por mosquetão HMS, é uma técnica eficaz, segura e recomendada para liberar o participante em uma descida após a segurança em guide mode. Deve ser parte integrante da formação técnica de guias e praticantes avançados, com ênfase na segurança redobrada e na capacidade de executar manobras com eficiência em ambiente outdoor.

Referencias: https://www.petzl.com/US/en/Sport/News/2018-6-29/How-to-belay-from-above?

Autor: Sergio Ricardo 

Guia Certificado ABGM (Associação Brasileira de Guias de Montanha)

sexta-feira, 27 de junho de 2025

🚨 Relato Técnico #001

 Recentemente Vimos uma postagem do Rafael Sales, conhecido pela comunidade como "Calango Ninja" onde ele compartilhou um relato sobre seu incidente com um amigo enquanto escalavam a via dos Buracos em Itacoatiara. Bom abaixo segue um resumo do relato, e o que poderia ter sido feito para que esse incidente não tivesse ocorrido e tem um link do video onde dou algumas dicas de como resolver esse tipo problema.

🚨 Relato Técnico Queda por erro na montagem do freio (ATC Guide)

Local: Via dos Buracos, Itacoatiara – RJ
Participante: Rafael, conhecido na comunidade como Calango Ninja
Gravidade: Queda livre de aproximadamente 15 metros
Consequência: Nenhum ferimento
Causa provável: Erro na montagem do sistema de segurança com freio similar ao "ATC-Guide" no modo reverso.

🔍 Breve Descrição do incidente

Durante a ascensão da Via dos Buracos, em Itacoatiara (RJ), a cordada avançava para a terceira enfiada, quando ocorreu o incidente. A segunda parada da via é feita dentro de um buraco, com visibilidade zero para a próxima enfiada. O guia amigo do Rafael iniciou a terceira parte, que termina em outro buraco, também sem contato visual com o segurador. 

O sistema de segurança estava montado com um freio similar ao ATC-Guide,*/*Comentario: O freio e a marca usado no dia do incidente foi o Vega+ da marca Side Up, que tem a mesma função do ATC-Guide da marca Black Diamond*/*... fixado diretamente à ancoragem da parada dupla. Durante a montagem, o freio foi posicionado de forma invertida: a corda do participante passou pela lateral incorreta do freio, contrariando a orientação gravada no corpo do equipamento.

A consequência foi uma falha completa do sistema autoblqueante, resultando numa queda livre de cerca de 15 metros, em trecho predominantemente negativo da via.

🛑 Diagnóstico técnico

A análise da imagem evidencia que o freio estava corretamente ilustrado com as instruções de montagem. O erro foi a interpretação equivocada do desenho técnico, e uma falha de leitura por parte do operador, possivelmente agravada por:

        Falta de familiaridade com o equipamento específico/ e ou pouco experiência.

  • Baixo nível de atenção na montagem

  • Interpretação equivocada do desenho técnico impresso no freio

Esse tipo de erro é classificado como erro humano de montagem com risco de queda fatal, especialmente em vias com ancoragens cegas ou comunicação limitada.

⚠️ Importante: freios do tipo guide mode exigem atenção redobrada na leitura dos pictogramas e na correspondência entre o desenho e a realidade da passagem da corda. O usuário deve ter conhecimento técnico prévio e verificar o sistema antes de escalar.

Fatores que evitaram o acidente fatal

  • O parceiro de escalada teve reflexo e força suficientes para travar a corda com as mãos, compensando a falha do sistema. Por Outro lado teve ferimentos nas mãos o que poderia ter sido mais grave.

  • A corda estava em boas condições e a ancoragem estava correta ou ao menos aguentou o impacto.

  • Apesar da queda, não houve colisão com saliências, e o escalador ficou sem lesões pelo fator negativo da parede. 

Como o incidente poderia ter sido evitado? – Entendendo a montagem correta do sistema de segurança

Neste incidente, um erro na montagem do sistema de segurança levou a uma queda de aproximadamente 15 metros, felizmente sem consequências físicas. Mas o que exatamente poderia ter sido feito de forma diferente para evitar esse tipo de situação?

1. Reproduzir a segurança como se estivesse no chão

Uma das formas mais simples e eficazes de evitar erros ao montar o sistema em paradas é reproduzir a montagem da segurança da mesma maneira que fazemos no chão ao assegurar um guia:

  • O ATC Guide (ou similar) pode ser posicionado no loop da cadeirinha, com a corda passando por ele como se o guia ainda estivesse no chão.

  • Para direcionar corretamente o freio na posição “de cima pra baixo”, basta usar uma costura simples no grampo da parada para criar um reenvio, garantindo que a corda de tração saia para cima e o freio funcione corretamente.

Essa técnica, apesar de parecer simples, alinha o sistema ao que estamos habituados no chão, diminuindo a chance de confusão ou montagem invertida.


2. Em caso de dúvida: comece no loop da cadeirinha

Se houver dúvida sobre a correta montagem do freio em “guide mode” direto na parada, uma solução segura e didática é montar o freio inicialmente no loop da cadeirinha, como se estivesse fazendo segurança normalmente.

  • Após isso, você verá que o olhal de guia (o orifício auxiliar do ATC Guide) pode ser preso à parada equalizada.

  • Com isso, você pode então remover o freio do loop da cadeirinha e deixá-lo funcionando de forma autônoma, na configuração correta.

Essa técnica ajuda a visualizar de maneira intuitiva a função de cada parte do equipamento e reduz muito as chances de montagem incorreta.

 No Final do post tem um Link do video explicando como fazer essas tecnicas!


3. A importância do posicionamento e visualização do freio

O ATC Guide (ou freios similares) possuem marcações e símbolos indicando o posicionamento correto da corda, tanto a que vai para o escalador quanto a que está nas mãos do segurador. No entanto, essas indicações só têm valor se forem corretamente interpretadas.
Ter um olhar treinado e atento aos detalhes visuais e funcionais do freio é fundamental para uma montagem correta. Não se trata apenas de “seguir o desenho”, mas de entender a lógica do sistema e a direção das forças envolvidas.


Conclusão

Evitar esse tipo de incidente está diretamente ligado ao desenvolvimento de um pensamento técnico e crítico na escalada. Saber reproduzir o que já é familiar, como a segurança no chão, adaptando para o contexto da parada, é uma ferramenta poderosa. E, em momentos de dúvida, recorrer a métodos seguros e didáticos como a pré-montagem no loop da cadeirinha pode fazer toda a diferença entre um dia tranquilo na rocha e um acidente grave.

Praticar, revisar, questionar e conversar com outros escaladores e guias é essencial para manter viva a cultura da segurança. Incidentes como esse nos lembram que a experiência é construída com atenção aos detalhes e humildade para aprender sempre

video https://www.instagram.com/p/DLbPMvXyja0/



Autor: Sergio Ricardo



RELATO TÉCNICO #003

 RELATO TÉCNICO #003 ⚠️ ACIDENTE REAL: Mosquetão preso só na borrachinha (“string”) Lapinha/Sumidouro - MG Um escalador montou uma costura l...